Conhecer o Passado para entender o Presente

"Entrar na História" é o nome deste blogue. Pode significar abrir a porta e entrar no tempo que nos antecedeu. O tempo dos nossos avós... e dos avós dos nossos avós. De todos aqueles que construíram a terra onde vivemos.
Temos o dever de continuar a obra que nos deixaram, dando o nosso contributo para melhorar o que deve ser melhorado. Fazer da nossa terra um lugar mais agradável para viver.
Não se pode melhorar o presente se não o conhecermos. E para compreender o presente temos de conhecer o passado.
É o que este blogue te propõe: vamos investigar a história da nossa terra, para a conhecermos melhor.

Aproveitem!

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sexta-feira, 18 de abril de 2014

Santa Maria da Feira e a Primeira República

Dando principal destaque ao nosso imponente castelo, no início do século XX renovou-se o interesse público por este monumento.
As primeiras obras de recuperação foram executadas pela Direção das Obras Públicas, em 1907, e visitadas por D. Manuel II de Portugal no ano seguinte. Em 1909 foi criada uma Comissão de Proteção e de Conservação do Castelo, tendo-se procedido às obras de beneficiação e restauro com a ajuda de Fortunato Fonseca.
De 1910 a 1926 foi um período fértil em obras de beneficiação no Castelo, destacando-se o biénio de 1917/1918. O castelo foi classificado como Monumento Nacional por Decreto de 16 de junho de 1910 publicado pelo DG nº 136, de 23 de junho de 1910.
No decorrer destas obras foram encontrados alguns vestígios arqueológicos, destacando-se uma ara romana com uma mensagem religiosa em latim que, em 1914, foi colocada ao abrigo do tempo, num nicho aberto na parede da torre de Menagem.




As duas Aras Romanas 
presentes no Castelo da Feira











Destaca-se, ainda, em 1909, a nomeação do Dr. Ângelo da Cunha Sampaio Maia, advogado de S. João de Ver, para Ministro do Trabalho.

Bibliografia:
D'AZEVEDO, Anídio Casals, "Comissão De Vigilância Do Castelo De Santa Maria Da Feira", Gráfica Claret, 1988
Catarina Pinho, 6ºB   

Um episódio entre monárquicos e republicanos na Vila da Feira

Vou contar uma história real, um episódio que aconteceu em 1919 entre monárquicos e republicanos na Vila da Feira.
Para tal, fui falar com o filho de um dos intervenientes neste episódio, o Sr. Luís de Magalhães. O seu pai, Alfredo de Magalhães, nasceu em Lamego no ano de 1886. Com 20 anos veio para Espinho cumprir o serviço militar. Ao fim de semana trabalhava na Vila da Feira numa drogaria e aí aprendeu a arte de funileiro. Nesta localidade se casou e se estabeleceu como funileiro.
Alfredo Magalhães era monárquico e em Janeiro de 1919 durante a tentativa da restauração monárquica, juntamente com mais uma dezena de cidadãos, andaram pelas ruas de Vila da Feira e por algumas freguesias do concelho acompanhados por bandas de música a proclamarem a monarquia, fazendo hastear bandeiras monárquicas em alguns edifícios públicos. Alfredo Magalhães chegou mesmo a içar uma bandeira monárquica no edifício da Câmara Municipal da Feira. Outros lançaram foguetes e obrigaram as bandas de música a executarem o hino real. Ainda por esta altura proferiram publicamente vivas ao rei D. Manuel II e lançaram insultos aos republicanos. Organizaram também na Vila da Feira um batalhão de civis destinados a defender a monarquia. Os indivíduos que faziam parte do batalhão andaram armados com espingardas do exército a policiar a noite da Vila da Feira.
Por estes factos, em 25 de Junho de1920, foram acusados treze cidadãos, entre os quais Alfredo de Magalhães. Foram julgados pelo Tribunal Militar do Porto. O original deste documento de acusação está na posse do Sr. Luís de Magalhães.
Alfredo Magalhães seria condenado a três meses de prisão, que foram cumpridos na cadeia de Aljube no Porto. Posteriormente foi libertado e continuou a residir com a sua família na então denominada Vila da Feira.

 Bandeira da Monarquia de 1830 até 1910
 Bandeira da República a partir de 1910



 Trabalho realizado por: Ana Luísa       Nº2    6ºB